A infertilidade não é o fim de tudo

Normalmente, quando um casal se anima a formar uma família acredita que alcançar a gravidez é algo relativamente simples, mas nem sempre é assim. Por isso, o diagnóstico de infertilidade geralmente é representar um duro golpe para ambos. No entanto, isso não significa que tenham que renunciar ao seu desejo de ser pais.
A dia de hoje, os tratamentos de reprodução assistida permitem obter a gravidez para muitos casais com problemas de fertilidade. Não é um caminho fácil, mas a maioria das vezes tem uma recompensa: ter entre os braços o filho sonhado.
O atraso da entrada da maternidade em Portugal, mesmo para além da idade reprodutiva, é o principal fator que fez disparar os problemas para alcançar a gravidez nos últimos anos e, frente a esta causa de infertilidade, existem tratamentos de reprodução assistida que diminuem os riscos decorrentes da idade e dão mais garantias de sucesso. Em certos casos, a capacidade de os óvulos da mulher que deseja ser mãe desce e não é possível ter embriões que possam dar lugar a gravidez evolutivos.
A ovodonación, uma alternativa para ser mãe
Quando o médico levanta a alternativa ovodonación as mulheres de idade avançada que buscam a gravidez, mas têm baixa reserva de óvulos ou estes são de pior qualidade, a notícia costuma ser um conflito interno. Desejam ter um filho, mas nunca imaginou que pudesse ser com os óvulos de outra mulher.
Por um lado está a sonhada maternidade, mas por outro pode se preocupar que a criança não vai parecer fisicamente delas, nem a sua família, e que, de certa forma, perder a carga genética.
Podem também vir a se perguntar se serão capazes de cuidarle e quererle como se fosse dele, e se os avós e familiares lhe aceitos sem problemas.
Paralelamente, pode aparecer um sentimento de culpa por ter atrasado o momento da maternidade a uma idade em que o relógio biológico já corre contra.
Alterar o foco da meta vital

Trata-Se de uma decisão complicada, por isso que são normais os medos e as dúvidas. Neste ponto, os especialistas insistem na importância de oferecer desde um primeiro momento, toda a informação possível para o casal e todo o apoio que lhes permita aceitar a condição de infertilidade, mudar o foco do objetivo vital e modificar a atitude em relação à ovodonación, vendo-a com outros olhos. Além disso, lidar com esse tipo de tratamentos desde o início com normalidade ajuda a uma maior aceitação por parte do ambiente.
Na opinião dos especialistas, de optar por fim, a ovodonación, o que mais vai ajudar a que formem uma família psicológicamene saudável e equilibrada emocionalmente, é o ser conscientes de que, à margem da origem dos gametas, o importante é o sentimento de maternidade/paternidade, que surge a partir do momento em que se implanta o embrião no útero da mulher.
Um link que tem implicações muito mais fortes do que as provenientes da carga genética dos doadores. De fato, a maioria das mulheres que se tornam mães por ovodonación referem que uma vez que têm a seu filho no ventre, desaparecem os medos.
Além disso, há que ter em conta que durante o desenvolvimento embrionário, ocorre o fenômeno de regulação epigenética, que depende do ambiente em que se desenvolve o embrião, neste caso, o útero materno. É por este fenómeno, pelo que a futura mamãe, sem alterar a carga genética do embrião, produz mudanças na expressão dos genes, contribuindo para o desenvolvimento do futuro bebê (mesmo que a mulher que fica grávida não transmite a sua carga genética do embrião, sim, que influencia o desenvolvimento do futuro bebê).
Uma vez que a criança tenha nascido e à medida que cresce, é fundamental que a narrativa familiar sobre suas origens para se concentrar em como se formou a família, não tanto nos genes. Ser pai significa criar, amar e educar. O vínculo e a qualidade da relação entre os pais e seus filhos é a coisa principal.