A Internet não pode diagnosticar ou medicar

Com motivo do Dia Mundial da Saúde e em pleno boom tecnológico, não podemos deixar de comentar as mudanças que ocorreram no setor médico. Com algumas modificações que vieram para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e que até deram uma reviravolta na maneira em que nos relacionamos com o nosso médico.
Infelizmente, nem tudo têm sido vantagens, uma vez que a popularização da Internet, também tem levado alguns doentes a fazer um mau uso dela, isto é, usá-lo para substituir o profissional. Uma prática muito comum e uma perigosa idéia. Hoje contamos-lhe por que.
Por que não é recomendável “crer” tudo o que se diz na rede

Dito isso, e se bem que uma das vantagens da rede é que nos abriu as portas a um vasto leque de conhecimentos, conta também com um grande inconveniente: qualquer um pode participar. Isto implica que tanto aqueles que trabalham com a preparação necessária, como os que não têm tenham a opção de escrever sobre algo concreto com diferente alcance (muitas vezes, chega mais longe o texto escrito por uma pessoa não especializada). E isso pode ser um problema, pois suas afirmações não têm valor nem remotamente parecido.
Além disso, e ainda que topemos com a fonte apropriada, o certo é que existem muitas possibilidades de que malinterpretemos nossos próprios sintomas e os asociemos com uma grave doença. Algo muito comum se formos um pouco hipocondríacos e que também pode ser causado por, simplesmente, que não procuramos o bem, ou que as entradas com nossa suposta doença não se encontram bem posicionadas nos resultados.
Além disso, em nenhum caso, teremos um diagnóstico suficientemente claro, nem, muito menos, pessoal, que se adapte a nossa situação.
A automedicação, o pior remédio

Chegados a este ponto, cabe falar da automedicação, um pasito mais na direção errada, e uma decisão que podemos acabar tendo se acreditamos pés juntillas o que temos lido on –line-a rede está cheia de mitos–. Em nenhum caso devemos proceder desta forma, nem sequer diante de um aparentemente simples resfriado, cujos sinais acreditamos saber interpretar.
Infelizmente, e de acordo com recentes dados do eurobarómetro, Portugal é o país da União Europeia onde mais aumentou o consumo de antibióticos de motu proprio. Curiosamente, a metade da população sabe para que servem exatamente e acreditam que são eficazes para tratar um resfriado. Alguns dados alarmantes que não fazem mais que aumentar a cada ano e cujas consequências podem ser devastadoras.
A pesquisa de informação, útil, mas com peros

Não obstante, o certo é que a busca de informação nunca é de mais, principalmente porque lhe servirá de ajuda na hora de conhecer melhor os seus sentimentos, explicárselas ao seu médico quando acudas a consulta ou, simplesmente, porque de certeza que aprende, tornando –sobre a sua doença ou sobre a que lhe pareça–, e já se sabe que o saber não ocupa lugar.

Agora, você deve realizá-la (a pesquisa) de forma adequada. Por exemplo, não será o mesmo recorrer a um blog especializado de um profissional ou a um artigo acadêmico, que para uma página generalista ou fórum com corantes provenientes dos alarmistas. Desde então, a validade dos dados que nela figuram não será a mesma. Uma ideia: vai para o Google Acadêmico e a Dialnet.
Uma abordagem adequada

Dito o que, e perante os primeiros sintomas de mal-estar, devemos consultar um profissional para obter um diagnóstico personalizado, adaptado às nossas condições físicas, estado geral de saúde, histórico médico, etc. Uma forma de prevenir os problemas que podiam surgir de um auto-diagnóstico e medicação e uma forma de contar com a garantia e confiança que oferece um especialista.
Há que ter presente, além disso, que um sintoma nem sempre é fácil de descrever, e nada como uma outra pessoa qualificada para explicárselo (em frente a um fórum ou um motor de busca generalistas). Também pode acontecer que tenha “medo” de ir à consulta, especialmente se você acha que os resultados vão sair mal e tenta evitar as más notícias. Em algumas doenças como a agoraphobia, por outro lado, é ainda mais difícil.
Neste último caso –e também em outras situações em que, por razões logísticas, não podemos deslocar-nos fisicamente ou, simplesmente, nos for mais cômodo não fazer isso– podemos nos servir de serviços especializados. Estamos Nos referindo, por exemplo, a serviços digitais, o que nos permite conectar facilmente com o médico e realizar as consultas online através de um sistema de videoconsultas.