Já há crianças com colesterol?

O aumento da epidemia de obesidade infantil tem levado a Academia Americana de Pediatria a recomendar que se façam exames para crianças de 9 a 11 anos, para detectar dislipemia (níveis elevados de lipídios) e níveis elevados de colesterol no sangue. A herança genética, a dieta e a obesidade são os três fatores de risco mais importantes para que uma criança tenha a hipercolesterolemia (colesterol alto).
É aconselhável avaliar os níveis de colesterol a partir dos 2 anos de idade em crianças com antecedentes familiares de pacientes, artérias bloqueadas ou uma doença que afeta os vasos sanguíneos, como um acidente vascular cerebral, e aqueles com pais ou avós com colesterol total no sangue de 240 miligramas/decilitro (mg/dl) ou mais, assim como em crianças com excesso de peso ou obesidade.
Considera-Se que uma criança tem o colesterol elevado, com níveis iguais ou superiores a 200 mg/dl em relação ao colesterol total e de 130 mg/dl ou mais, no que diz respeito ao chamado colesterol ‘ruim’, é dizer, as lipoproteínas de baixa densidade (LDL, sigla em inglês).
E uma criança está em níveis limite quando o colesterol total está entre 170 e 199 mg/dl e o LDL 110 a 129 mg/dl, sendo os níveis normais menos de 170 mg/dl e abaixo de 110 mg/dl para o colesterol total e o ‘mal’, respectivamente.
A obesidade infantil em Portugal
Em Portugal, mais de metade da população tem problemas de excesso de peso, com 17 por cento dos habitantes que são obesos. No caso de crianças, o problema com o peso, o sofrem três de cada dez, ou seja, cerca de 25 por cento dos menores em Portugal pesam mais do que os níveis recomendados pelas autoridades sanitárias.
Uma criança sofre de obesidade quando o seu índice de massa corporal (IMC) -uma medida que se obtém ao dividir o peso pela altura ao quadrado (kg/m2)- excede o percentil 95 para a idade e sexo e que tem excesso de peso a partir de um IMC mais do percentil 85. Os percentis são curvas que permitem avaliar o crescimento de crianças e que foram concebidos a partir de medidas tomadas com uma grande amostra de crianças da mesma idade.
E é que as crianças com obesidade enfrentam numerosos problemas de saúde na infância e, mais tarde, na idade adulta. Por exemplo, os pequenos que sofrem de obesidade têm quatro vezes mais risco de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com os menores, com um IMC na faixa normal, como revelou um estudo recente publicado no ‘Journal of the Endocrine Society’.
Entre os fatores que predispõem desde o nascimento a sofrer de excesso de peso ou obesidade são o excesso de peso da mãe e o tabagismo durante a gestação, um elevado peso do bebê ao nascer, um aumento rápido de quilos durante os primeiros meses e a introdução precoce de alimentos sólidos antes dos seis meses), bem como não ser amamentado, de acordo com um estudo de 2012, que foi publicado em “Archives of Diseases in Childhood’.
Como prevenir a obesidade
Quando a ingestão calórica é superior ao gasto energético, o normal é engordar. Ocorre em adultos e em crianças. Assim, a melhor forma de prevenir a obesidade é que a balança esteja equilibrada, tanto com a dieta com a prática de exercício. Em geral, trata-se de manter uma dieta recomendada para todas as crianças saudáveis, ou seja, que contenha calorias ideais para o seu crescimento. Em crianças que têm que descer de peso, aconselha-se a um consumo máximo de entre 1.200 e 1.300 calorias diárias.
Para evitar a obesidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza:
Aumentar o consumo de frutas e produtos hortícolas, leguminosas, cereais integrais e frutos secos.
Reduzir a ingestão total de gorduras e substituir as saturadas por insaturadas.
Diminuir a ingestão de açúcares.
Realizar atividade física: um mínimo de 60 minutos diários de intensidade moderada ou vigorosa adequada à fase de desenvolvimento e de atividades diversas.

Nesta linha, a Associação Espanhola de Pediatria (AEP) aconselha-se diminuir a ingestão total de gordura, ou seja, comer menos carne, frios, manteiga, margarina ou queijo cremoso, por exemplo, e, em todo caso, elevar a qualidade da gordura que você ingere, através do consumo de peixe ou óleo de oliva, bem como reduzir o consumo de produtos que trazem colesterol, como pães, industrial e vísceras.
Outras medidas que os especialistas recomendam ter em conta para frear a obesidade e o aumento dos níveis de colesterol, são limitar a ingestão de bebidas açucaradas, consumir alimentos com soja, massas, cereais e pães integrais e produtos lácteos desnatados, evitar os óleos vegetais, para não fritar os alimentos, consumir margarinas enriquecidas com etanoles e esteróis, que bloqueiam a absorção no corpo, assim como o chocolate preto, cujo ácido oleico parece diminuir o colesterol.
Por outro lado, é relevante a estrutura familiar, como por exemplo, o fato de ter um horário regular para dormir e comer, assim como limitar o tempo que passam as crianças a ver televisão e usar dispositivos tecnológicos, também é fundamental para diminuir os índices de obesidade.
Um estudo realizado por especialistas da Universidade Estadual de Ohio, Estados Unidos, publicado em abril de 2017 no ‘International Journal of Obesity’ revelou que as rotinas na primeira infância estão associadas a uma melhor saúde emocional e podem reduzir as chances de ser obeso.
Benefícios do exercício para as crianças
Em geral, a atividade física deve fazer parte central da vida das crianças, com o fim de evitar o crescente sedentarismo existente por culpa de práticas da vida moderna, como assistir televisão, usar o computador ou jogar com dispositivos inteligentes. Numerosas pesquisas, associações profissionais e órgãos competentes apontam diariamente os benefícios do exercício para a mente e o corpo dos mais pequenos, como:
Manter um peso corporal saudável.
Desenvolver músculos e ossos mais fortes.
Ter pressão arterial e níveis de colesterol mais baixos.
Reduzir o risco de ter diabetes tipo 2.
Dormir melhor.
Enfrentar melhor os problemas emocionais.
Embora haja uma infinidade de esportes que podem praticar e se divertir-basquete, futebol, ginástica, ténis, natação, etc – não é necessário que pratiquem um como tal, basta que joguem qualquer coisa que implique que se deslocarem fisicamente e que o praticam de forma regular.
Jogar aos polícias e ladrões, ou o esconderijo, ou pular corda são jogos que envolvem atividade aeróbica. Além disso, os especialistas apostam acostumar os jovens a incorporar o exercício de suas vidas, com hábitos do cotidiano, como subir escadas, caminhar ou andar. O tempo dedicado ao exercício físico deve rondar entre meia hora e uma hora por dia.
Por que é medica uma criança contra o colesterol
Diante da presença de hipercolesterolemia, os pediatras defendem o objetivo de reduzir os níveis abaixo de 110 mg/dl através da dieta e mudanças de estilo de vida ou, até mesmo, com tratamento farmacológico. Também seria aceitável diminuir as taxas iniciais a, pelo menos, abaixo de 130 mg/dl.
Se passados entre três e seis meses, não se consegue reduzir os níveis a menos de 130 mg/dl, deve-se considerar que seguir uma dieta diferente. A dificuldade na hora de projetar uma dieta para as crianças é que você tem que certificar-se de que recebem as proporções que precisam de calorias, vitaminas e minerais, assim como os micronutrientes, de acordo com os pediatras espanhóis. Quando as crianças têm menos de 2 anos, devem continuar a comer alimentos com gordura e colesterol uma vez que nesta fase de crescimento da demanda de energia é alta.
O tratamento medicamentoso é geralmente o último recurso, ou se emprega em casos extremos. Quando os níveis de colesterol, após um ano de tratamento não estão acima de 190mg/dl ou são inferiores a 160 mg/dl, mas existem outros fatores de risco, considera-se a possibilidade de tratar a criança com medicamentos.
Geralmente, não é recomendável gerenciar as crianças medicamentos para reduzir o colesterol antes dos 10 anos de idade e, no caso das meninas, antes de a ocorre -primeira menstruação-. Para o tratamento pediátrico, costumam-se empregar as estatinas, que ajudam a diminuir os níveis de colesterol ‘ruim’ em torno entre 18 e 40 por cento.
Danos que provoca o colesterol alto
Inicialmente, os sintomas associados com a obesidade e os níveis elevados de colesterol não costumam manifestar, mas se evitam ou diminuem o mais rápido possível, será benéfico para a vida futura do pequeno, especialmente para a sua saúde cardiovascular.
O colesterol elevado é perigoso, principalmente para o coração, aumentando o risco de sofrer um infarto do miocárdio. Segundo a Fundação Espanhola do Coração, as pessoas com mais de 240 mg/dl de colesterol no sangue, apresentam o dobro de risco de sofrer um infarto do que aqueles que possuem níveis abaixo de 200. Além disso, o colesterol se vai acumulando nas paredes das artérias, por isso que elas se estreitam e se torna mais difícil a passagem do sangue (aterosclerose).