O ar poluído que respiramos, na Europa, nos encurta a vida

Há alguns dias fizemos referência ao estudo que mostra que as temperaturas extremas nos tiram anos de vida, mas, no entanto, não é o único fator externo que, infelizmente, é muito prejudicial para a nossa saúde. A má qualidade do ar em muitas grandes cidades e áreas industriais, pode ser um fator determinante para o aparecimento de doenças cardíacas, câncer de pulmão, assim como problemas e dificuldades respiratórias, entre outras patologias.
O preocupante é que esta situação não é um caso isolado, mas que um em cada três europeus estamos expostos a cada dia a altas concentrações de partículas em suspensão na atmosfera. Isso decorre do último relatório apresentado pela Agência Europeia de Ambiente (AEA).
Segundo este relatório, as concentrações de poluentes atmosféricos em muitos países europeus encontram-se acima dos limites legais e recomendados para preservar a saúde de seus cidadãos. Um tema bastante preocupante, porque esta poluição do ar reduz a esperança de vida humana em cerca de dois anos nas cidades e regiões que apresentam uma maior poluição.
Em relação à Espanha, calcula-se que quatro de cada cinco pessoas respiram um ar pior do que os índices de proteção à saúde, marcados pela Organização Mundial de Saúde. Isso se traduz em 16.000 mortes prematuras a cada ano, somente em nosso país.

E é que, apesar de que na última década se tomou consciência sobre a importância de reduzir as emissões de poluentes, atualmente, como já observamos, os limites legais são superados na maioria dos países, pelo que se pode afirmar que a qualidade do ar é bastante deficiente.
De entre todas as substâncias e partículas que contaminam o ar, as partículas (PM) são as que mais representam risco para a saúde das pessoas, já que são um fator de risco de morte prematura. Um quinto da população urbana se viu exposta de forma diária para níveis mais elevados de concentração de PM dos limites marcados para preservar a saúde.
A situação é ainda mais preocupante se se toma como referência os níveis assinalados pela OMS, e que põem de manifesto que entre 81 e 95% dos habitantes das cidades têm estado expostos a concentrações de partículas superiores aos marcadores de referência estabelecidos para assegurar a saúde humana.
Por outro lado, se nos referimos ao ozônio, que causa também de problemas respiratórios e morte prematura, a exposição é também muito alta nas cidades, com uma percentagem que atinge 97% da população da União Europeia que tenha estado exposta a concentrações de ozono superiores aos limites estabelecidos pela OMS.
Outro dos poluentes muito presentes no ar das cidades, é o dióxido de nitrogênio. Não é de admirar que 7% dos europeus que vivem em cidades que tenham estado expostos a níveis superiores aos limites da UE, se tivermos em conta que ainda em muitos países europeus as emissões de óxidos de nitrogênio, superam os limites máximos fixados pela União Europeia.
Por último, o relatório salienta que os europeus estão expostos a outras substâncias tão nocivas para a saúde, como é o benzopireno, um agente cancerígeno que estiveram expostos em níveis superiores aos recomendados 29% da população. Por fortuna, as emissões de dióxido de enxofre foram reduzidas consideravelmente nos últimos anos. Também é limitado bastante a presença de benzeno, monóxido de carbono e metais pesados no ar.
Estes dados revelam a necessidade e a urgência de se rever a legislação, estabelecer medidas mais eficazes para reduzir a poluição e estabelecer multas e punições mais duras para todas as indústrias ou empresas que poluam o ar que respiramos todos.