Periodontite, uma doença além das gengivas

Ao falar da saúde oral, já não só se mencionam os problemas que ocorrem nos dentes. É Cada vez mais comum conhecer alguém que sofre de uma doença das gengivas, também chamado de gengivite -inflamação e sangramento das gengivas pela ação de bactérias – ou periodontite ou piorrea -quando evolui para perda de osso ao redor dos dentes-. No entanto, cada vez aparecem mais dados e informações sobre a relação destas com outras patologias, a priori, não próximas.
O que é gengivite
As bactérias presentes na boca, juntamente com as mucosidades e outras partículas, como as de comida, formam o que é conhecido como placa bacteriana. Se esta mistura de componentes pegajosa e incolor ou amarelada que se deposita sobre os dentes não se elimina, endurece e forma o cálculo ou tártaro. Com o passar do tempo e sem uma higiene e um tratamento adequados, tudo isso resulta em inflamação das gengivas ou gengivite.
Conforme explica o Instituto Nacional de Pesquisa Dentária e Craniofacial (NIDCR, por suas siglas em inglês) dos Estados Unidos, se esse inchaço não se trata e perdura, evolui para a periodontite, uma doença que faz com que você perca osso ao redor dos dentes e as gengivas retraigan, afastando-se da linha que liga a gengiva com o dente, deixando parte de sua raiz nua ou formando espaços ou sacos que se infectam. Mas o processo de destruição não para por aí: com o tempo, os dentes se tiram e podem cair.
Sintomas e tratamentos
Podemos saber se temos algum problema de doença se sofremos algum destes sintomas:
Gengivas vermelhas ou inflamadas.
Sangramento de gengivas. A gengiva saudável não sangra.
Dor nas gengivas
Sensibilidade nos dentes, devido à retração das gengivas.
Mau hálito permanente.
Dor ao mastigar.
Dentes frouxos.
Gengivas esteiras totalmente retraída ou dentes mais longos do que viam antes.

Uma boa higiene, com a escovação correta e o uso do fio dental, é fundamental para a saúde das gengivas. Quando este transtorno está muito avançado, o melhor é recorrer ao periodontista para que realize uma limpeza em profundidade, através de um procedimento chamado de raspagem ou curetagem, que consiga separar o tártaro dos dentes e dos lugares inacessíveis para a escova. Em casos muito agudos, você vai precisar de uma cirurgia para retirar o tártaro por baixo da gengiva (subgingival).
Doenças associadas com a periodontite
Mas, além de todos os problemas que cria esta patologia da boca, pesquisas recentes têm detectado que pode ter outras condições para trás, ou estar associada a outras patologias ou, mesmo, é possível que ele possa ser um sintoma de alarme de doenças que, em princípio, ninguém pensaria que têm relação com uma doença oral.
Alguns exemplos destas relações são:
1. Maior risco de morte em mulheres na pós-menopausa
No passado dia 29 de março, uma pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Buffalo, em Nova York, Estados Unidos, e publicado no American Journal of the American Heart Association’, revelou que a doença das gengivas e perda de dentes podem elevar o risco de morte em mulheres na pós-menopausa.
Os autores destacaram que “além de seu impacto negativo sobre a função oral e dos hábitos alimentares, também se acredita que as doenças oral estão relacionadas com doenças crônicas do envelhecimento”.
De acordo com seus resultados, as mulheres pós-menopáusicas, com um histórico de doença periodontal têm mais 12% de risco de morte por qualquer causa. Além disso, a perda de todos os dentes naturais -uma das possíveis consequências da periodoncitis – se relaciona com 17 por cento mais risco de morte por qualquer causa.
2. Um sinal precoce de diabetes
22 de fevereiro de 2017, os cientistas da Universidade de Amesterdão, Países Baixos, relataram que a periodontite pode ser um sinal precoce de diabetes tipo 2. Segundo detalhando os autores em artigo publicado na revista digital ‘BMJ Open Diabetes Research and Care’, seria “viável e útil” examinar pacientes que visitam o dentista para o tratamento de doença grave das gengivas com o fim de tentar evitar as complicações associadas com o diabetes.
Entre as 313 pessoas de meia-idade que participaram neste estudo, aqueles que sofriam de doença grave das gengivas possuíam também um maior índice de massa corporal (IMC), em torno de 27 -um valor considerado acima do peso – ou mais. As pessoas com epilepsia entre leve e moderada tinham mais parentes com diabetes do que aquelas sem a doença das gengivas.
De fato, detectou-se que os valores de HbA1C, com que se mede o nível médio de açúcar no sangue no corpo durante os últimos entre dois e três meses, foram mais elevados (45 mmol/l) em pessoas que sofrem da forma mais severa de periodontite. Está estabelecido que entre 39 e 47 mmol/l de HbA1C indica “pré-diabetes”, enquanto que valores superiores alertam sobre a presença de diabetes.
3. Bactérias oral que desencadear enxaquecas

Em outubro de 2016, pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, Estados Unidos, mostraram que os pacientes com enxaqueca têm mais germes na boca que o resto das pessoas. Os autores argumentaram que essas bactérias têm a capacidade de modificar nitratos (sais) e reduzi-los a nitritos, passando então a sangue e circulando por ela até desencadear enxaquecas.
4. Ligada ao declínio cognitivo em doentes de Alzheimer
Outra pesquisa, descobriu-se a relação entre a doença das gengivas e maiores taxas de declínio cognitivo em pessoas que estão nas primeiras fases da doença de Alzheimer. A periodontite ou doença das gengivas é comum em idosos e pode chegar a ser mais comum na doença de Alzheimer por uma diminuição da capacidade para cuidar da higiene bucal, à medida que a doença avança, de acordo com os autores deste trabalho.
Em um artigo sobre o seu trabalho publicado em 10 de março de 2016 no ‘Plos One’, os pesquisadores, especialistas do ‘Kings College de Londres e da Universidade de Southampton, no Reino Unido, verificou que níveis mais altos de anticorpos para fazer frente a bactérias periodontais estão associadas com um aumento nas taxas de moléculas inflamatórias em outras partes do corpo, o que, por sua vez, se relaciona com mais deterioração cognitiva na doença de Alzheimer em estudos anteriores.
Nesta pesquisa, a presença de doença das gengivas ao início da análise foi associado com um aumento de seis vezes na taxa de deterioração cognitiva. A periodontite ao início do trabalho também se relacionou com um aumento relativo no estado pró-inflamatório ao longo do tempo de estudo. Por eles, os autores consideraram que a doença periodontal está associada com um aumento de deterioração cognitiva na doença de Alzheimer, possivelmente através de mecanismos relacionados à resposta inflamatória do corpo.

5. Relação com doenças cardíacas
Um estudo da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, tornado público no dia 18 de maio de 2014, descobriu que as mesmas bactérias que causam a doença das gengivas também promovem as doenças do coração. Os autores deste trabalho, queriam saber mais sobre os vínculos entre a infecção bacteriana oral e doenças do coração.
Embora os médicos sabem que os pacientes com doença das gengivas têm maior risco de doenças do coração, ela não se vê como um fator de risco tradicional para a patologia cardíaca. À luz de suas descobertas, os cientistas esperam que a Associação Americana do Coração reconheça os vínculos causais entre as doenças oral e o aumento das patologias do coração com o fim de alterar a forma em que se diagnostica e trata os pacientes de doenças cardíacas.
Nesta linha, outro trabalho dado a conhecer por pesquisadores suecos em 9 de abril de 2014, em ‘European Journal of Preventive Cardiology’ revelou que as doenças periodontais, como a perda de dentes e gengivite são possíveis marcadores de risco para a doença cardiovascular (ECV).
Entre as descobertas do estudo, os pesquisadores descobriram que os indicadores da doença periodontal, como perda de dentes ou sangramento de gengivas, eram comuns em pacientes com doença coronariana crônica e associaram-se com múltiplos fatores de risco cardiovascular e socioeconômicos. Assim, os resultados sugerem a existência de fatores de risco comuns às doenças dentais e a patologia cardíaca coronariana e levantam a questão de se a saúde dental pode ser considerado como um marcador útil de risco de ECV.
6. Associada com infecção oral pelo vírus do papiloma
Em 21 de agosto de 2013, cientistas da Universidade do Texas, em Houston, nos Estados Unidos, apontaram que a má saúde oral, incluindo a doença das gengivas e outros problemas dentários, está associada com a infecção oral pelo vírus do papiloma humano (HPV), que causa cerca de 40 e 80 por cento dos cancros da faringe.
Como detalharam em um artigo publicado em “Cancer Prevention Research”, os participantes do estudo que tiveram a má saúde oral, registraram uma prevalência de 56 por cento mais alta de infecção oral por HPV, e os que padeciam doenças das gengivas e problemas dentários apresentavam 51 28 por cento de prevalência de infecção oral por HPV, respectivamente. Além disso, os cientistas puderam relacionar as infecções orais por HPV com o número de dentes perdidos.
Tendo em conta todos estes problemas, associados às patologias dentais e, em especial, às doenças das gengivas, é muito importante ter uma boa higiene oral. Manter uma boca saudável e limpa não é apenas a chave para o bem de seus dentes, mas também pelo seu coração, sua mente e seu metabolismo.